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“3 lições que aprendi sendo sparring dos grandes ídolos do MMA”

Minotauro e Damasceno após treino de alto impacto, em meados da década de 2000. Crédito: Arquivo pessoal. 

Há dez anos atuando como professor de Jiu-Jitsu nos Emirados Árabes, o faixa-preta Pedro Damasceno nunca se esqueceu das lições absorvidas no dojô da BTT Lagoa, no Rio de Janeiro, na primeira década deste século, quando foi sparring de grandes ídolos da história do MMA, como Rodrigo Minotauro, Ricardo Arona, Murilo Bustamante (de quem Pedro recebeu a faixa-preta), entre tantos outros craques.

São aprendizados assimilados em pleno sufoco, sob pressão, enquanto Pedro se submetia aos mais intensos treinamentos de artes marciais, ajudando os tops de sua academia a brilharem no tablado do Pride japonês. Tais lições Damasceno aplica em sua vida até hoje, de uma maneira ampla, tanto como pai de família, como professor de Jiu-Jitsu, como competidor e coach.

“Desde a época da Carlson Gracie Team, quando eu ainda era faixa-roxa, já me convidavam para ajudar nos treinos profissionais de No-Gi, muito em função da minha altura e envergadura, mas também em função do meu gás e dos títulos que eu vinha ganhando naquela graduação, na qual fui campeão mundial, por exemplo. Eu era uma espécie de “estagiário” entre os tops da escola do Carlson”, recorda Damasceno. “Quando fomos para a  BTT, comecei a ajudar dos treinos de MMA. Lembro que o Arona e o Minotauro ainda estavam no RINGS japonês. Logo após eles migraram para o Pride”.

“Minotauro e Arona tinham certeza de que o gás não faltaria no ringue”, conta Damasceno. 

“Por eu ser de Niterói, a mesma cidade do Arona, íamos e voltávamos juntos para os treinos na AABB Lagoa e nos tornamos grandes amigos. O Minotauro também sempre me ajudou muito, outro grande amigo que o esporte me deu, me patrocinou por muitos anos, um cara que sempre ajudava a todos. Os treinos eram diariamente uma guerra! Um terreno completamente minado: Minotauro, Minotouro, Arona, Paulão, Allan Goes, Carlão Barreto, Roan Jucão, Mestres Murilo Bustamante, Libório, Zé Mario, entre outras feras. Aprendi muito com todos esses astros e gostaria de compartilhar a seguir, com os leitores da GRACIEMAG, algumas dessas lições”. 

1- Treino duro, luta fácil

“Naqueles tempos de Pride, os ídolos da BTT entravam para lutar preocupados com qualquer coisa, menos com o gás. Eles tinham a certeza absoluta que teriam gás de sobra para intensificar o ritmo ou estender o combate o quanto fosse necessário. A luta muda completamente quando o atleta está capacitado a atuar dessa forma. A parte mental melhora, a técnica flui muito melhor… Todos no time da BTT tinham a mais plena certeza de que treinavam mais do que os adversários. Então, creio que essa é uma lição que sempre me marcou: prepare-se da melhor maneira possível para encarar os desafios da vida. Treine à exaustão. Pratique. Não poupe esforços na parte preparatória e os bons resultados virão naturalmente”.

Com Bustamante, de quem recebeu a faixa-preta, e Minotauro. 

2- Tenha uma válvula de escape  

“Como o treino era sempre muito duro e intenso, era preciso saber valorizar os momentos de descanso e também encontrar formas de extravasar, tirar a cabeça daquele ‘modo sob pressão’. Não por acaso o Arona sempre tentava se manter ativo no surf e nas escaladas na montanha. Até hoje carrego esse hábito comigo. Gosto de trabalhar intensamente, mas não me permito entrar num estado de implosão emocional, de stress absoluto. Então busco atividades que me afastem disso quando necessário, um ‘reset’ fundamental. Gosto de nadar, de correr, pedalar, escalar…”.

3- Aprenda a lidar com a dor 

“Uma virtude que todo sparring tem que desenvolver é a capacidade de lidar com a dor. Se vamos nos submeter a treinos intensos contra os melhores lutadores, certamente vamos sofrer, sair das sessões de treino com o corpo moído… Além da cartela de antiinflamatório sempre à mão, é preciso ter força mental, não andar para trás por causa da dor. Saber que ela é inevitável e o movimento tem que ser para a frente sempre. Retroceder jamais! O treino na alta performance não tem nada a ver com o treino em busca de bem-estar do praticante comum. Todo atleta que lutava no Pride naquela época ou que luta hoje em dia no UFC está a todo momento com alguma avaria no corpo, algum foco de dor, mas eles sabem transformar isso em motivação, não fraquejam. Essa é uma ‘força mental’ que tento reproduzir nos momentos de adversidade em minha vida. Mesmo sofrendo eu não posso me deixar abalar. É preciso seguir em frente, como faziam os grandes ídolos do MMA com quem treinei nos idos da década de 2000”. 

Com o professor Ricardo Libório, uma figura paternal para Damasceno até os dias de hoje.

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