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A arte de se encantar pelas lutas desde criança, com Jiuliano Leon

Aluninha bota o professor Jiuliano Leon para voar. Fotos: Divulgação

Makoto, no idioma japonês, possui estes significados: verdade, sinceridade, pureza. Somente alguns dos valores que o professor Jiuliano Sucena Leon sempre buscou no dojo, desde que se apaixonou pelo kimono aos 3 anos – de um modo inusitado.

Hoje, o faixa-preta de judô e Jiu-Jitsu busca ensinar seus pequenos alunos em aulas diárias repletas de uma didática lúdica e divertida. O projeto Mundo Makoto se espalha pelos principais bairros da zona sul do Rio de Janeiro, como Botafogo, Leblon, Humaitá e Gávea, mas está apenas em seus primeiros passos.

Em conversa com a equipe GRACIEMAG, professor Jiuliano falou de seus sonhos e de como apurou de maneira especial o ensino para os pequenos samurais.

GRACIEMAG: Quando você percebeu que dedicaria sua vida às artes marciais?

>JIULIANO LEON: Parece clichê, mas foi logo nos primeiros dias de judô, com mais ou menos 3 anos de idade. Quebrei o braço na primeira ou segunda aula e na terceira eu estava lá de volta, com gesso e tudo, assistindo aos amiguinhos. Me sentia em casa no dojo. Percebi que tinha dom para ensinar muito jovem, com 7 anos ainda. Chegava mais cedo nas aulas das crianças menores só para ajudar meu professor Ricardo Ruffoni. O Ruffoni é um doutor em Educação Física, sétimo dan de judô, e ter ajudado ele a dar aula diariamente dos 7 aos 21 anos foi um mestrado de valor inestimável.

Lembra algum fato emocionante daquele tempo?

Escolher uma é muito difícil. Minha vida e as artes marciais sempre foram uma coisa só. Mas, aproveitando o Setembro Amarelo, acredito que foi minha superação em conquistar a vaga do Campeonato Brasileiro de Judô em 1995, contra sintomas da síndrome do Pânico. Eu tinha apenas 10 anos. Só o amor explica como uma criança, naquela situação, não desistiu de lutar e de viver esse sonho, sonho esse que moldou meu caráter e minha personalidade pelo resto da vida. Confesso que eu mesmo, na minha idade adulta, não seria tão corajoso quanto aquela criança.

Sensacional. E o que você continuou aprendendo, após tornar-se um professor no meio das crianças?

Que dar aula é uma linda missão. Muitas vezes você vai se tornar a maior referência positiva que a criança terá na vida. Educando uma criança, passando confiança e ensinando valores, você muda um destino e, talvez, o futuro de uma família inteira, sem falar em todos os seus descendentes. É uma responsabilidade e tanto.

Jiuliano Leon e a turma de instrutores do Mundo Makoto na BTT Lagoa.

O projeto Mundo Makoto está em expansão no Rio de Janeiro, certo?

Hoje essa minha metodologia se encontra em mais de dez academias no Rio de Janeiro. As principais são a BTT Lagoa, a Alliance Rio, Via Salus e Top Defende. Dou aula para o filho do mestre Murilo Bustamante desde pequeno, e depois da modernização da BTT Lagoa ele me deu essa incrível oportunidade de levar o Mundo Makoto para umas das mais lendárias academias do planeta. O Alexandre “Gigi” Paiva é meu professor de Jiu-Jitsu e minha maior referência na luta de solo. Comecei a aprender com ele aos 14 anos e foi ele quem me deu a faixa-preta, em 2009. Tive a oportunidade de dar aula para os dois filhos dele também, e agora, com a nova gestão da Alliance Rio, fui chamado pelo Rodrigo Thiago para abrir o Mundo Makoto lá.

Você lançou sua metodologia para o mundo agora, com seu curso no BJJ Fanactics. Quais os principais benefícios do seu curso on-line?

As crianças aprendem muito melhor através de uma metodologia lúdica e objetiva. Nossa metodologia e progressão pedagógica são pensadas levando em consideração a especificidade das crianças e suas fases de aprendizagem. E tudo isso sem perder o foco e objetivo final daquilo que se quer ensinar e aprender. Essa combinação mantém as crianças motivadas, além de promover o desenvolvimento global do indivíduo – ou seja, físico, emocional e afetivo.

Cite algo que poucos sabem sobre o ensino de artes marciais para crianças, por favor.

Costumo dizer que a criança não é um “mini-adulto”. Ela gosta de ser corrigida e norteada, falando a língua dela, obviamente. Gosta de ter responsabilidade pela faixa que conquistou, de ser incentivada a comandar (principalmente as mais tímidas), de ajudar os mais novos, mas ela gosta de se superar. Muitas vezes, não sabem ou não conseguem verbalizar isso, mas, com as palavras e os incentivos certos, isso aflora numa boa. Está tudo lá dentro dela, esperando para aflorar e nada como esse conjunto de ferramentas completas chamadas artes marciais para que isso aconteça. Não tenho certeza se poucos sabem disso, mas é um aspecto essencial para as aulas dos pequenos.

>Você sempre foi próximo do faixa-preta de judô Breno Viola, o primeiro rapaz com síndrome de Down a conquistar a graduação. O que aprende com ele?

Tudo era impossível até ele chegar lá e fazer. Breno escancarou portas que jamais voltaram a se fechar. Com seus 40 anos já deixou seu legado na Terra, né? Mas as verdadeiras lições do Brenão foram no dia a dia, nos treinos. No meio do treino do alto rendimento do Flamengo, ele se entregava como poucos no dojo. Na carona de volta, ele dormia e só acordava quando eu o deixava na esquina de casa e, principalmente, na resenha pré e pós-treino. Ele nunca quis dar qualquer lição, porém seus ensinamentos eram sutis e diários. Realmente um cara iluminado: chora, sorri e fica com raiva, tudo muito claro e autêntico. Talvez ele seja um dos poucos caras que conheço que ama tanto – ou mais do que eu – as artes marciais.

Turma do Mundo Makoto em atividade ao ar livre, na praia do Leblon.

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