Em setembro, Curitiba vai ganhar um novo espaço para as artes marciais. À frente da inauguração da CMSYSTEM Ecoville está o professor GMI Cristiano Marcello, nome que dispensa apresentações para quem acompanha o Jiu-Jitsu e o MMA. Ex-lutador do Pride e do UFC, formador de diversos faixas-pretas e também empreendedor, Cristiano abre as portas de uma academia que promete elevar o padrão de treinamento no sul do Brasil — e não apenas pelo tamanho da estrutura, mas pela filosofia que carrega.
A trajetória de Marcello é marcada por experiências únicas: dos tatames da Gracie Humaitá Tijuca à convivência com Rickson e Royler Gracie, passando pela era de ouro da Chute Boxe. Viveu intensamente vários ciclos do esporte, acumulando vitórias, aprendizados e cicatrizes que moldaram sua visão sobre o que significa ser um verdadeiro artista marcial. Para ele, cada revés é apenas parte de um ciclo maior — e a resiliência é tão importante quanto a técnica.
Nesta entrevista exclusiva, Cristiano revela os bastidores da nova academia, fala sobre os conselhos que daria a quem deseja empreender nas artes marciais e compartilha sua visão sobre o que transforma um atleta comum em campeão. Confira!
GRACIEMAG: Você vai inaugurar em setembro a CMSYSTEM Ecoville, uma super academia em Curitiba. O que diferencia a sua nova escola das outras academias que existem no sul do Brasil?
CRISTIANO MARCELLO: Nosso grande diferencial é o time de professores. São mestres de renome, com história nos maiores eventos de luta do mundo, e com o talento de transmitir todo esse conhecimento numa linguagem acessível aos alunos e alunas dos mais diferentes perfis. Além disso, contamos com uma estrutura de primeira linha numa magnitude mundial. São dois mil metros quadrados, com um tatame de 700 metros quadrados, outro de 500, sendo dividido em dois pavimentos: área de Jiu-Jitsu e área de striking e MMA. Contemplam esses espaços um SPA, sala de massagem, área para coworking, podcast, sala infantil, salas particulares, climatização em todos os ambientes, inclusive nas áreas de tatame, fora o estacionamento exclusivo. Oferecemos algo realmente único para para toda a família ter a melhor experiência nas artes marciais.
Você está super realizado na condição de empreendedor do universo das lutas, mas a sua trajetória é bem versátil. Você já revelou muitas habilidades: competidor de Jiu-Jitsu, lutador do Pride, professor de Jiu-Jitsu na Chute Boxe… O que de melhor você aprendeu ao longo dessa saga?
Realmente me sinto um cara muito realizado, tive oportunidade de aprender numa “Harvard das artes marciais”, tanto como aluno, atleta e também professor. Competi em alto nível, alcançando pódios em Mundiais de Jiu-Jitsu, morei uns tempos com o Rickson, um dos maiores aprendizados da minha vida vendo o lifestyle dele, vivendo ao lado do meu mestre Royler Gracie no auge das competições de Jiu-Jitsu, MMA e vale tudo. Aprendendo a ser bravo e ao mesmo tempo com técnica apurada, o que me levou a migrar para o vale-tudo, vindo a ser o head coach da era Chute Boxe. Lutei no Meca, no Pride, TUF e UFC. Sinto muita saudade daquela adrenalina, do desafio de subir num octógono ou numa área de combate do BJJ. E sobre a grande lição que aprendi… Bem, refletindo bastante, acho que eu aprendi que tudo nesta vida é cíclico, nós não podemos nos abalar quando sofremos um duro revés. Sempre haverá um dia após o outro. Segure firme, pois as coisas vão voltar ao lugar.

Se você tivesse que dar três conselhos a quem deseja empreender nas artes marciais, quais seriam?
Primeiramente ser o mais profissional possível, promovendo uma experiência para o aluno em que ele aprenda uma arte marcial que possa transformar a vida dele em todos os quesitos (mental, físico e técnico). Promover segurança no ambiente de treino e proporcionar uma estrutura com algum diferencial para esse aluno.
Qual é o segredo para transformar um atleta mediano num grande campeão?
Isso depende muito do esforço do próprio atleta, mas acredito que a química entre lutador e mestre também tem que ser especial. Chega um momento do processo em que um faz o outro crescer e vice-versa. E um detalhe especial: o mestre deve trabalhar o mental do aluno para que ele esteja pronto para enfrentar qualquer tipo de situação.

Quando alguém hesita em treinar Jiu-Jitsu, o que você costuma dizer para convencer essa pessoa a vestir o kimono e começar a jornada na arte suave?
Olha, é bem particular de cada um. Vai depender do que está levando essa pessoa a hesitar a colocar o kimono. Mas em linhas gerais, costumo dizer que o Jiu-Jitsu nos leva a um fortalecimento mental sem precedentes, a uma técnica infinita e a um lifestyle tão maneiro que nós nunca mais conseguimos largar.
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