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Faixa-preta e diretor de Inteligência Artificial, Fabricio Lira avalia tecnologia no Jiu-Jitsu

Professor de Jiu-Jitsu e executivo do ramo de tecnologia, Fabricio avaliou a união cada vez mais constante de suas duas paixões. Foto: Divulgação

Diretor de Dados e Inteligência Artificial da IBM, célebre multinacional do setor de tecnologia da informação, Fabricio Lira é também faixa-preta de Jiu-Jitsu. Formado pelo nosso GMI Rodrigo Prujansky (GB Botafogo), Fabricio tem 25 anos de experiência no setor de tecnologia da informação, e avaliou a pedido do GRACIEMAG.com como ele usa a ciência nas artes marciais, e vice-versa. Confira um trecho da conversa nas linhas abaixo.

GRACIEMAG: Na pandemia, o Jiu-Jitsu se tornou muito mais on-line. Como a internet e a computação influem na evolução do esporte?

FABRICIO LIRA: Com a pandemia, o mundo experimentou uma aceleração intensa no processo de digitalização das empresas. Alguns setores, mais preparados, puderam aproveitar melhor o momento enquanto outros se viram forçados a buscar formas de adaptação a uma nova realidade, tudo da noite para o dia. Com o Jiu-Jitsu não foi diferente. Sem prévio aviso, academias e centros de treinamento foram levados a buscar maneiras criativas de manter o engajamento de seu público, que buscavam muitas vezes objetivos variados: prática esportiva, competição, atividade física e por aí vai. De forma parecida com outros setores da economia, algumas equipes obtiveram certa vantagem por já estarem utilizando tecnologias digitais como aliadas em suas atividades. A Gracie Barra é um excelente exemplo, e não a estou citando pelo fato de ser um atleta GB. Há tempos a Gracie Barra investe em plataformas digitais para distribuição de conteúdo, como o programa de certificação de instrutores (PCI), sua vasta biblioteca de vídeos, entre outros trunfos. Abraçar o digital, portanto, demonstrou ser boa estratégia e acabou se transformando num importante diferencial nesse momento crítico. Este mesmo exemplo também foi seguido por outras equipes que foram igualmente bem sucedidas durante a crise.

E esse contato maior com vídeos na internet pode alterar o mundo do Jiu-Jitsu de algum modo, na sua visão?

Vejo a internet bastante inserida no esporte há tempos. Não é raro encontrar alunos que trazem para as aulas posições e técnicas vistas em vídeos on-line. Isso muitas vezes cria verdadeiros desafios aos professores em lidar com o tema. Alguns professores são declaradamente contra qualquer tipo de “interferência digital” em suas aulas, bloqueando de forma vocal iniciativas com essa intenção. Particularmente, eu acredito que a tecnologia deve ser sempre nossa aliada – o segredo é utilizar o bom senso ao empregar a mesma em nosso dia a dia. Isso envolve comunicar com clareza a conduta nas aulas, a forma de interagir com os alunos e o gerenciamento da expectativa entre ter contato com determinada técnica (assistir on-line) e fazer uso dela na prática (treino e aperfeiçoamento). Como boa parte dos temas que proliferam na internet, observar a fonte da informação é fator fundamental para obter bom proveito do conteúdo. Olhando por outra perspectiva, o mundo conectado ajudou a difundir e tornar o Jiu-Jitsu conhecido e praticado em todo o mundo. As novas tecnologias têm levado as academias para dentro da casa das pessoas e o resultado vem surpreendendo muita gente. Ainda que o Jiu-Jitsu seja tradicionalmente praticado com o apoio de um colega de treino, as limitações têm trazido muita inovação e servido como fonte de inspiração para manter as pessoas e famílias ativas e conectadas, ajudando no condicionamento e no senso de comunidade entre os alunos e professores.

Além dos robôs do futuro, como a inteligência artificial pode afetar o mundo do Jiu-Jitsu?

A inteligência artificial vem evoluindo a passos largos no mundo, atuando nos mais diversos segmentos e setores. Temos a tendência de pensar em inteligência artificial como máquinas inteligentes, capazes de realizar tarefas de forma otimizada ou até mesmo superior a capacidade humana. Na verdade, inteligência artificial é um grande conjunto de capacidades computacionais, tais quais reconhecimento de imagens, processamento de linguagem natural (que é a forma como nós nos comunicamos), aprendizado de máquina e diversas outras tecnologias que, quando combinadas, formam soluções que estamos acostumados a utilizar em nosso dia a dia. São exemplos: aplicativos de mapas, serviços de veículos, recomendações em plataformas ou vídeos de e-commerce, atendentes virtuais etc, entre várias outras aplicações. Indo além nos exemplos, quando pensamos em bancos, finanças e telecomunicações, a inteligência artificial já responde por uma parcela significativa dos atendimentos ao cliente das principais instituições financeiras no Brasil. Já no varejo, os algoritmos são responsáveis por recomendações e ações de oferta. E grandes avanços vêm sendo feitos em saúde também, no diagnóstico de doenças, busca de tratamentos e desenvolvimento de remédios/vacinas. A inteligência artificial, portanto, já é uma realidade que permeia praticamente todos os setores da economia. Nesse sentido, temos a percepção de finalmente conseguirmos preencher lacunas importantes para elevar a condição de bem-estar da sociedade, ao atacar problemas de grande impacto. Ampliando esse alcance para o mundo das lutas, a inteligência artificial e a realidade virtual/aumentada devem, além de impactar a forma como os atletas se preparam, inovar a maneira como o público interage com os lutadores. Isso vai chegar rápido aos eventos, criando novas plataformas de entretenimento que emulam a realidade.

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