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GMI: Gama Filho detalha projeto de Jiu-Jitsu para deficientes visuais

Henrique Gama Filho passa detalhes do estrangulamento cruzado para seu aluno cego. Foto: Reprodução

Todas as terças-feiras, por volta das 15h30, nosso professor GMI Henrique Gama Filho, da Gama Filho Martial Arts, tem compromisso certo. Sua academia, em Miami na Flórida, se torna a base dos Blind Warriors, e Henrique, mesmo como experiente professor, passa a aprender tanto quanto os alunos.

Nesse horário, alunos com deficiência visual tomam o tatame da Gama Filho Martial Arts, e uma aula especial é dada por Henrique e pelo faixa-marrom Carlos Alvarez, idealizador do projeto, para os exímios alunos na arte de aprender o Jiu-Jitsu.

“As aulas são gratuitas e lecionadas todas as semanas”, explica Henrique. “Sempre falo que ele vem para aprender comigo, mas na verdade eu aprendo muito mais com eles. Toda a superação da vida deles, do dia a dia deles, é inspirador para mim.”

Confira abaixo o papo de GRACIEMAG com o professor Henrique Gama Filho sobre as lições dadas e recebidas com os Blind Warriors.

GRACIEMAG: O que é o Blind Warriors?
HENRIQUE GAMA FILHO: É um projeto super legal e nobre, que traz muita confiança para os alunos por meio do Jiu-Jitsu. O Carlos Alvarez (idealizador do projeto), é meu aluno e faixa-marrom. Nos conhecemos este ano, e ele perdeu a visão há 7 anos, quando ainda era faixa-azul. Ele me contou o quão deprimido tinha ficado após ficar cego, e o Jiu-Jitsu deu a ele a confiança para ter uma rotina independente, enfrentando os medos de não enxergar. Por isso decidimos iniciar o projeto para pessoas com deficiências visuais.

Qual a maior diferença entre as aulas comuns e para os Blind Warriors?
As dinâmicas de aula são completamente diferentes. Como eles não enxergam a explicação, da mesma forma como a gente faz numa aula tradicional eu monto um círculo em volta de mim, pego um dos alunos e explico com muito mais detalhes. Outra coisa é que eles tocam em mim e no sparring, para entender com o tato como a posição é executada. É impressionante a sensibilidade que eles tem e como eles assimilam os detalhes, mesmo sem ver. O foco deles é muito maior do que um aluno que enxerga. Depois de explicar, eu e meus ajudantes nos dividimos em grupos para mostrar a técnica em cada aluno.

E os resultados das aulas? São similares no fim das contas?
É interessante destacar a curva de aprendizado de um aluno cego em comparação a um que enxerga. O meu aluno faixa-marrom, por exemplo, fica melhor a cada aula, isso porque ele entende o Jiu-Jitsu de uma maneira diferente. Ele consegue perceber com o corpo, tem a sensibilidade de entender onde eu coloco força, como eu distribuo o peso, e consegue aplicar isso no seu treino seguinte. É gratificante.

This article first appeared at Graciemag

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