Professor Léo Cunha, da Gracie Barra Santo Amaro – Foto: arquivo pessoal
Líder da escola GB Santo Amaro, o faixa-preta Leonardo Cunha vivenciou diversas fases do Jiu-Jitsu. O professor começou garoto, no mítico dojo da primeira sede da Gracie Barra, no meio dos anos 1980, nas aulas do instrutor José Henrique Leão Teixeira.
Léo competiu, parou, voltou, reaprendeu, ensinou. Hoje, o faixa-preta radicado em São Paulo é um grande entusiasta dos seminários. Onde ele gosta de escutar os mestres, enxergar novos detalhes, oferecer aos seus alunos uma ampliação dos horizontes.
Em conversa com o GRACIEMAG.com, Cunha relembra o que aprende de melhor nos seminários galácticos que organiza quase todo mês no seu dojo – e que já atraíram nomes como Rorion Gracie, Jean Jacques Machado, Rigan, Romulo Barral e tantas lendas do esporte.
GRACIEMAG: Seminários complementam o estudo de Jiu-Jitsu e expandem o conhecimento dos novatos. E para o professor? Você também aprende?
LÉO CUNHA: Tenho 48 anos e pratico Jiu-jitsu desde os 5. Nunca estive em um seminário em que não aprendi uma novidade valiosa, um detalhe que havia me escapado. Para o aluno que pode estar presente, é um investimento que faz o nosso jogo melhorar muito.
O que aprendeu de mais inusitado com o aulão de Rorion, um dos mestres que você volta e meia convida?
A nossa alimentação precisa ser vista como um sistema de faixas. Quanto mais você se dedica, mas ela deixa nosso organismo preparado. Em relação ao atleta, a alimentação feita com sabedoria deixa qualquer pessoa preparada para lutar em seu potencial máximo. E você se sente bem o tempo todo, a qualquer dia, hora e local você se sente saciado, leve e pronto para encarar qualquer parada. Isso, no fim das contas, vale para o competidor e também para o sujeito que se vê em perigo, e tem a mente clara e a barriga leve para defender a família. No fim, isso rende frutos em qualquer ocasião. Você numa reunião vai sempre render mais que os colegas que se encheram de bife e alimentos pesados.
Que conceito técnico você reaprendeu recentemente?
Recebi os irmãos Machado há um tempo, Rigan e Jean Jacques. Pude conferir, em detalhes, como de fato o Jiu-jitsu é um esporte para pessoas inteligentes, pois a cada detalhe fazemos menos esforço. Nós não precisamos fazer quase nenhuma força quando sabemos criar alavancas e o espaço certo para utilizá-las.
O multicampeão Romulo Barral também deu um seminário na GB Santo Amaro em 2026. Que minúcia sobre o jogo de guarda vocês puderam aprender?
De fato, a guarda-aranha e a lasso dele são incríveis. Mas o mais engraçado no seminário dele é ouvir da fonte sobre os momentos em que ele resolveu “desafiar” e “questionar” conceitos sólidos no Jiu-Jitsu para criar o estilo dele de luta. Creio que isso é um procedimento comum nas mentes brilhantes. Você só entende a fundo o seu campo quando questiona por que aquilo é assim, e se não há como ajustar.
Houve algum seminário que fez a turma sair de queixo caído com as técnicas, Léo?
Não vou falar de um, vou falar de dois que ocorreram em sequência aqui em Santo Amaro. Tivemos outro dia o privilégio de receber o Royce numa noite mágica. Ele discursou com ideias totalmente voltadas para a defesa pessoal, para você estar blindado como um soldado num combate corpo a corpo, cercado de inimigos. Já na noite seguinte, recebemos o Jean Jacques Machado. Ele abriu o seminário assim: “O Jiu-jitsu não tem nada a ver com força, e sim com alavanca”. Me veio a luz: naquela semana, tive toda a certeza de que o Jiu-Jitsu é a arte marcial mais completa que existe, pois atende a todos os gostos, e ajuda em todas as missões.
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