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Lições do surfe que tento transmitir aos alunos de Jiu-Jitsu, por Rafael Dallinha

O professor Rafael Dallinha, em La Jolla, San Diego. Foto: Divulgação

Professor Rafael Dallinha, da escola La Jolla Jiu-Jitsu, é admirado por seus amigos tanto pela habilidade no Jiu-Jitsu quanto por seu estilo clássico ao surfar. A pedido de nossa equipe, o faixa-preta de Florianópolis radicado em San Diego listou as lições mais importantes que ele aprendeu encarando as ondas, e que tenta transportar para os tatames e para seus alunos.

1. Pontualidade

“Tanto no Jiu-Jitsu como no surfe, a gente aprende desde cedo que há uma hora certa para chegar”, reflete Dallinha. “Se você atrasa no Jiu-Jitsu, perde o aquecimento, retarda sua evolução por treinar menos e ainda demonstra uma falta de comprometimento com seu professor e seus colegas. No mar, o respeito ao horário também é fundamental. Se você não se programa e atrasa, o vento entra, a maré muda, e você perde tempo, ou um dia de surfe.”

2. Aula de postura

Rafael lembra um ensinamento que compreendeu numa das ocasiões em que foi surfar com mestre Royler Gracie: “A grande lição que aprendi com ele foi sobre postura. Mesmo ele sendo um dos maiores lutadores da história, um casca-grossa das galáxias, ele jamais deixa de ser respeitoso e amigável com qualquer um que o aborda. Isso chama atenção ainda mais na praia, pois no surfe a gente cansa de ver caras que não sabem o beabá da defesa pessoal e são cheios da marra, poderosos até dizer chega. E mestre Royler, que lutou a vida inteira, é humilde e pura simpatia. Mas isso só mostra como o Jiu-Jitsu é a arte de manter o respeito e a simplicidade, pois cara feia e cuspir marimbondo não tem eficiência nenhuma quando o tempo fecha.”

3. Respeite o mar pequeno

“Todo surfista aprende que não importa o tamanho das ondas, o mar precisa ser respeitado o tempo todo. Pode ser dia de mar grande ou mar pequeno, a atenção precisa ser a mesma. O camarada que entra desleixado e desatento, pode tomar na cabeça e se atrasar. Vale para as ondas, vale para o treino, quando você se depara com um cara pequeno, magro, graduado, novo ou velho. Se entrar cheio da soberba e vacilar, vai tomar caldo”, compara Dallinha.

4. Cuidados com o equipamento

“Eu me preocupo mais com minhas pranchas, por serem mais caras, do que com os kimonos”, admite o professor. “Mas em especial o novato que tem poucos kimonos, precisa estar atento ao equipamento. Ter carinho, manter naquele lugar sagrado, para saber onde encontrar, manter limpo. A higiene é a maior semelhança: após um dia no mar, é de lei aquela lavadinha ao chegar da praia, assim como o kimono logo após chegar da academia. É a melhor maneira de aumentar sua vida útil e não deixar ficar aquela aparência surrada.”

5. Respiração e calma

A lição mais importante para o faixa-preta é a arte de manter a mente tranquila na hora do caldo: “Dependendo do pico, tomar um caldo na cabeça pode ser aterrorizante. É preciso reagir como se estivesse tomando aquele amasso, respirando, buscando a concentração, mantendo o espírito calmo, pois se debater é o pior modo de reagir, ainda mais quando há por perto aquele fundo de coral. Surfe e Jiu-Jitsu são esportes irmãos por terem esse lado mental. Mantenha a calma até o pior passar.”

6. Leitura do cenário

“Gosto de me atentar à leitura da onda”, reflete o professor Dallinha. “Há sempre uma hora certa para cada manobra, o lado certo, em que onda ir e qual onda esperar. No surfe como no Jiu-Jitsu, você não vai entrar lá, nadar com pressa e pular na onda feito maluco. Você aprende a ler as ondas como lê o adversário, a postura corporal dele, os espaços que ele vai cedendo para você atacar. No mar como nos tatames, evite ir afobado demais, gastando força e energia sem nexo, e procure sentir, dosar ao máximo, aprender um pouco todos os dias. Há sempre o timing certo para investir na batida perfeita.”

* E você, já aprendeu alguma lição de valor útil nos tatames e no surfe? Comente com a gente.

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